ATENDIMENTO AO PÚBLICO DAS 8:30 às 17:30 HS   telefone31 3201-8385 | 31 3201-5743

NOTÍCIA


13/10/2015

RISCOS PREOCUPAM COMISSÃO

Riscos de máquinas emissoras de radiação preocupam comissão

Uso inadequado de aparelhos causaria danos à saúde dos trabalhadores, além de ser uma ameaça à sociedade.


Foram apresentados pedidos para enviar as notas taquigráficas da audiência ao MP e para que o PL 2.719 seja baixado em diligência à Secretaria de Saúde - Foto: Ricardo Barbosa 

Profissionais da área de radiologia alertam para os riscos do acúmulo de radiação ionizante no organismo, sobretudo quando pessoas inabilitados operam os equipamentos emissores, como, por exemplo, aparelhos de body scan e de raio X. A preocupação foi manifestada durante audiência pública que a Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou nesta terça-feira (13/10/15).

Requerida pela presidente da comissão, deputada Marília Campos (PT), a reunião abordou a tramitação do Projeto de Lei (PL) 2.719/15, que torna obrigatória a formação técnica em radiologia para a operação de equipamentos emissores de radiação ionizante no território mineiro. A deputada lembrou que a proposição atende a uma solicitação do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia da 3ª Região/MG (CRTR). A entidade manifestou apreensão no que concerne ao uso inadequado dos aparelhos, o que causaria danos à saúde dos trabalhadores, além de ser uma ameaça à toda a sociedade.

A deputada Marília Campos lembrou a importância do projeto e também do debate, destacando que a audiência deve ser interpretada como o início de um processo. Segundo a parlamentar, falta informação sobre o adequado uso de aparelhos que emitem radiação, assim como sobre os riscos a que manipuladores e usuários são submetidos. Para ela, o debate aberto contribuirá para aperfeiçoar o teor do PL e também para esclarecer a população sobre os equipamentos que emitem radiação ionizante, onde estão instalados e como minimizar riscos à saúde.

“Precisamos de uma legislação adequada, que proteja os profissionais e garanta bons serviços à comunidade mineira. A modernização é valiosa e importante, mas deve ser acompanhada de respeito aos direitos dos trabalhadores e da sociedade, e não pode trazer prejuízos”, ponderou a presidente da comissão. Por fim, a deputada Marília Campos apresentou requerimentos para que as notas taquigráficas da audiência sejam enviadas ao Ministério Público e para que o PL 2.719 seja baixado em diligência à Secretaria de Estado de Saúde.

Lembrando situações recorrentes em estabelecimentos do sistema prisional mineiro, o diretor de Prevenção da Corregedoria da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Wilton Ney Martins, manifestou apoio ao teor do projeto. Destacando a preocupação da corregedoria com a saúde do servidor, ele afirmou que a secretaria estuda exigir que apenas técnicos em radiologia possam operar os equipamentos body scan do sistema prisional.

Técnicos destacam formação e monitoramento de riscos

Segundo Paulo Ribeiro, a falta de preparo dos operadores pode causar danos à saúde dos trabalhadores e usuários - Foto: Ricardo Barbosa 

Segundo o presidente do CRTR, Paulo Roberto Lima Ribeiro, a formação adequada é uma garantia de segurança para os profissionais e para a população submetida a esses aparelhos. Ele informou que a radiação ionizante é emitida em escaneres existentes nos correios, aeroportos e órgãos públicos, no sistema prisional, nas fronteiras e na indústria, grande parte deles operados por pessoas inabilitadas. De acordo com o técnico, a falta de preparo dos operadores pode causar danos à saúde, tanto desses trabalhadores quanto dos usuários.

“Hoje, várias categorias trabalham com esse tipo de equipamento sem a devida formação e proteção, comprometendo a própria saúde e a dos usuários, inclusive por falta de conhecimento dos riscos. Estou esperançoso em relação à aprovação do projeto, cujo foco central é a saúde do trabalhador. Esta audiência é um primeiro passo para chamar a atenção sobre a importância do PL 2.719 para os profissionais e para a sociedade”, avaliou Paulo Roberto Lima.

Esse posicionamento foi endossado pelo diretor do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Radiologia do Estado de Minas Gerais (Sinditraux), Antônio Carlos Reis Giovanini, que ainda elencou riscos de operar as máquinas sem o devido preparo e a proteção adequada. Ele também alertou que os profissionais da área precisam ter carga-horária especial (24 horas semanais), a fim de evitar o acúmulo de radiação.

O sindicalista ainda destacou que os operadores desse tipo de equipamento precisam ter acesso a um aparelho para medir a carga de radiação recebida (dosimetro) e devem ser monitorados, com a realização de exames periódicos. A necessidade de afastar as trabalhadoras desses aparelhos durante o período de gestação também foi lembrada por ele.

“Trabalhadores com formação específica sabem dosar o nível de radiação do equipamento, evitando excesso ou dose muito baixa de radiação, o que pode obrigar o usuário a uma nova exposição. Eles conhecem a distância de segurança e usam adequadamente os equipamentos de proteção. Por isso, é tão importante que aqueles trabalhadores que atuam sem a devida habilitação façam cursos. Só assim compreendem os riscos e sabem como agir para reduzir os impactos negativos. Ao exigir a adequada formação, o PL 2.719 traz benefícios aos profissionais e à sociedade”, ponderou.

Para o dirigente do Sindicato dos Aeroviários do Estado, Valter Aguiar, é importante ampliar este debate. Ele lembrou que, nos aeroportos, os operadores do raios X têm formação voltada para a segurança e que, embora treinados e reciclados anualmente, não atuam tendo como foco a saúde. Segundo ele, existem exigências de segurança e de saúde apontadas pelos profissionais de radiologia que não são levadas em consideração nos aeroportos. Por fim, também manifestou apoio ao PL, sobretudo no que tange à garantia de segurança aos aeroviários que operam equipamentos emissores de radiação.

FONTE: ASSEMBLEIA DE MINAS

Voltar
Topo
Copyright 2012-2017 © CRTR - MG | Rua Rio de Janeiro 282, 8º Andar - Belo Horizonte MG | CEP: 30160-040 Zebra Agência Interativa